Produção e consumo de carne!

A problemática do atual sistema de produção e como podes reduzir e comer carne de maneira mais sustentável!

Porque é que os sistemas alimentares de carne, atualmente, são insustentáveis?

O crescimento maciço da produção animal industrializada durante o século XX, fez com que essa fosse a principal fonte de proteína nos países industrializados.

Esse tipo de produção traz consequências globais, como:

. Consumo excessivo de carne;

. Problemas de saúde – a carne vermelha e processada, são um fator de risco para doenças cardiovasculares, alguns tipos de cancro, diabetes tipo 2, distúrbios renais e hepáticos;

. Doenças graves transmitidas por alimentos e doenças zoonóticas com potencial pandêmico, quando a segurança alimentar e os habitats selvagens não são considerados;

. Resistência a agentes antimicrobianos (apesar da existencia de novas diretrizes e leis sobre o uso de antimicrobianos em países industrializados);

. Perda de biodiversidade;

. Poluição do ar devido a compostos azotados e emissões de partículas finas;

. Contaminação de fontes de água doce com nutrientes utilizados na produção de ração (eutrofização) e utilização de estrumes;

. 56% das emissões de Gases de Efeito de Estufa (GEE) de todo o setor de alimentos;

. Uso de recursos naturais (principalmente terra arável – 40% das terras aráveis ​​-, energia, água) com maiores impactos ambientais negativos;

. Desflorestação e conversão de terras para pastagens (2 bilhões de ha de pastagens usadas);

. Uso de ~ 22% da água doce global, da qual a carne bovina tende a ter a maior pegada;

. Uso de gado alimentado com cereais. 1/3 do grão utilizado na alimentação humana e cultivado na Terra é fornecido ao gado, com quantidades significativas de energia, sendo perdida ao longo do caminho na transferência de nutrientes das plantas para o gado e depois para os seres humanos, quando poderia ser utilizada diretamente para consumo humano e menos energia seria perdida;

. A agricultura animal em escala industrial pode reduzir o rendimento social das comunidades rurais e pobres;

. A carga na economia global é de £ 219 bilhões em custos relacionados à saúde em 2020, equivalente a 0,3% do PIB global (WRAP, 2012);

. O desperdício de carne e peixe equivale a 2,1 bilhões de libras (WRAP, 2012).

Se cada país adotasse uma dieta sustentável, como as diretrizes alimentares recomendadas pelos países das nações ocidentais, isso reduziria o consumo de carne e aumentaria o consumo de plantas, reduzia as emissões globais de gases de efeito estufa (GEE) em aproximadamente 30% e reduzia a utilização de água doce e de azoto e fósforo em 10–15% (Chaudhary e Krishna, 2019).

Seguir as diretrizes alimentares recomendadas, produziria benefícios ambientais no valor de US $ 234 bilhões por ano e economizaria US $ 735 bilhões por ano em custos relacionados com a saúde (Springmann et al., 2016).

Como podes comer carne de maneira mais sustentável?

Primeiro, REDUZ O CONSUMO DE CARNE;

. Torna-te um flexitariano (pessoa que limita a ingestão de carne) ou segue as diretrizes alimentares recomendadas pelo teu País (por exemplo, a dieta mediterrânea em Portugal);

. Rastreia o máximo possível a cadeia alimentar de onde vem a carne que consomes, tendo consciência da transparência na cadeia alimentar e das preocupações éticas e de segurança;

. Consome carne local e criada de maneira mais sustentável;

. Prefere carne produzida em modo biológico e livre ao invés de carne produzida intensivamente;

. A carne de frango é mais saudável do que a carne vermelha e tem uma pegada ecológica mais baixa.

Como podes reduzir o consumo de carne?

. Traz variedade para as tuas receitas e experimenta novos pratos de outras culturas e refeições vegetarianas;

. Planeia as refeições com antecedência;

. Come refeições com mais vegetais ou legumes;

. Lê e informa-te como podes ter uma dieta saudável à base de plantas;

. Promove um ou mais dias sem carne;

. Preocupa-te com o tamanho da porção de carne em cada refeição.

Para comer dentro de nossos limites planetários, estima-se que devamos consumir não mais que 98 g de carne vermelha, 203 g de aves e 196 g de peixe por semana (Willett et al., 2019).

A ingestão de carne vermelha na América do Norte, América Latina e Europa é 300-600% superior aos níveis recomendados diariamente; a ingestão de aves e ovos também excede os níveis recomendados, enquanto a ingestão de frutas, vegetais e proteínas de origem vegetal (por exemplo, de leguminosas) é inferior aos níveis recomendados (Willett et al., 2019).

Referências:

WRAP, 2012. Household Food and Drink Waste in the United Kingdom 2012. London.

Chaudhary, A., Krishna, V., 2019. Country-specific sustainable diets using optimization algorithm. Environ. Sci. Technol. 53 (13), 7694–7703. https://doi.org/10.1021/acs.est.8b06923.

Springmann, M., Godfray, H.C.J., Rayner, M., Scarborough, P., 2016. Analysis and valuation of the health and climate change cobenefits of dietary change. Proc. Natl. Acad. Sci. 113 (15), 4146–4151. https://doi.org/10.1073/pnas.1523119113.

Willett, W., Rockström, J., Loken, B., Springmann, M., Lang, T., Vermeulen, S., Garnett, T., et al., 2019. Food in the Anthropocene: the EAT–lancet commission on healthy diets from sustainable food systems. Lancet 393 (10170), 447–492. https://doi.org/ 10.1016/S0140-6736(18)31788-4

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