Segurança alimentar também em tempo de pandemia...

Artigo escrito por Professora Paula Teixeira, líder do departamento de investigação do grupo Food and Nutrition no Centro de Biotecnologia e Química Fina (CBQF) da Universidade Católica


Estamos todos a fazer o melhor que sabemos e podemos para reduzir o risco de contrair a COVID-19! E muitas das práticas recomendadas para prevenir as doenças transmitidas por alimentos, vulgarmente designadas como intoxicações alimentares, contribuem também para a prevenção da COVID-19.

• A COVID-19 é uma infeção normalmente associada ao sistema respiratório causada por um tipo de coronavírus – SARS-CoV-2.

• À luz do conhecimento atual, a COVID-19 não é uma infeção contraída pelo consumo de alimentos contaminados com SARS-CoV-2.

Com o isolamento social que uma grande parte da população está a cumprir, aumentam as refeições preparadas em casa. A preparação de refeições cumprindo todas as regras de higiene e segurança alimentar é essencial para prevenir as intoxicações alimentares.

Alguns cuidados na compra, na preparação e no armazenamento de alimentos poderão reduzir a incidência destas doenças. A Organização Mundial de Saúde (OMS) resume a 5 as regras de higiene e segurança alimentar:

1- Mantenha a limpeza:

-Lave as mãos

-Quando?

-Como?

Observe atentamente o vídeo desenvolvido no âmbito do projeto SafeConsume: https://youtu.be/_beQPX7PbIs.

– Equipamentos, superfícies e utensílios devem ser:

        -Limpos – remover restos de comida e sujidade

        -Desinfetados – microrganismos, incluindo SARS-CoV-2, destruídos

                        *Álcool a 60-70%

                        *20 ml de lixivia (a 5% de hipoclorito) para 980 ml de água

A capacidade de sobrevivência do SARS-CoV-2 é muito reduzida em comparação com alguns vírus transmitidos por alimentos, por exemplo Norovírus, mas pode manter a sua infecciosidade por algumas horas, ou mesmo dias nas superfícies. Por isso a limpeza e desinfeção das superfícies com frequência é muito importante.

À data, não há evidências de que as embalagens de alimentos sejam um modo de transmissão de SARS-CoV-2. No entanto, por precaução, lave sempre as mãos depois de as manusear!

2- Separe alimentos crus de alimentos cozinhados

Previna as contaminações cruzadas (passagem de vírus e de bactérias de uns alimentos/equipamentos/utensílios/superfícies para outros). Alimentos crus, especialmente a carne, peixe e os seus exsudados, podem conter microrganismos causadores de doenças que podem ser transferidos para outros alimentos, durante o transporte, preparação ou armazenamento.

3- Cozinhe bem os alimentos

Bactérias e vírus são destruídos pelas temperaturas elevadas. Certifique-se que os alimentos, em particular a carne, o peixe e os ovos estão bem cozinhados no exterior e no interior.

Apesar de não haver evidências de que a COVID-19 seja contraída pelo consumo de alimentos contaminados com SARS-CoV-2, não é de excluir a possibilidade de alguns alimentos poderem ser contaminados, por exemplo, se alguém infetado tossir perto deles. Nos alimentos que vão ser cozinhados o vírus será destruído. Já no caso de frutas e de vegetais, é aconselhável que sejam lavados cuidadosamente em água corrente. A utilização de vinagre, limão não elimina o vírus… e também não elimina toxoplasma, o parasita responsável por toxoplasmose. A toxoplasmose é uma infeção grave em grávidas e indivíduos imunodeprimidos. 

4- Mantenha os alimentos a temperaturas seguras

Temperaturas seguras são aquelas que previnem ou atrasam o crescimento de microrganismos, i.e. abaixo dos 4ºC e acima dos 60ºC.

Numa altura em que as idas às compras devem ser reduzidas, os frigoríficos estão muitas vezes demasiado cheios. Nestas condições, o ar frio não circula e a temperatura poderá não ser adequada (4ºC) em todas as zonas do frigorífico. Seja criterioso! Armazene no frigorífico todos os alimentos perecíveis e evite encher o frigorífico com alimentos que não necessitam de armazenamento a baixas temperaturas.

Alguns microrganismos multiplicam-se (não é o caso de SARS-CoV-2), ainda que lentamente, a temperaturas inferiores a 4ºC. Respeite os prazos de validade! Quando a indicação é “consumir de preferência antes de…”, depois desta data os alimentos podem perder alguma qualidade, mas a sua segurança não é comprometida. Mas se a indicação é “consumir até…” esta
é a data limite até quando deve ser consumido. Planeie as suas refeições e as suas compras para reduzir o desperdício!

5- Utilize água e matérias-primas seguras

A qualidade dos ingredientes é fundamental! A higiene do local de compra é um bom indicador. Prefira estabelecimentos onde a higiene e a organização sejam evidentes. Alguns alimentos não devem ser comprados em feiras e mercados; as condições de higiene e de refrigeração podem não ser adequadas.

 

Numa altura em que o sistema nacional de saúde está sobrecarregado, prevenir as intoxicações
alimentares é essencial para reduzir a afluência às instituições de saúde!

Fiquem bem e a salvo!

Paula Teixeira

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