– Foto de Sharon McCutcheon – 

Black Friday – Um fenómeno a refletir

O que é a Black Friday?

O fenómeno da chamada Sexta-feira Negra, Black Friday em inglês, é um fenómeno americano, que tem “infetado” outros países do mundo.

Consiste num dia de “puro consumismo” que acontece na sexta-feira seguinte ao Dia de Ação de Graças, nos Estados Unidos da América. Atraídos pelas “promoções” e ações de marketing das empresas, os consumidores tendem a comprar o que “precisam e o que não precisam”, dando o impulso inicial para as compras das festividades natalícias.

Como surgiu a Black Friday?

Ainda antes do termo surgir, as compras em Novembro já eram algo que fazia parte da cultura americana. Já em 1924, uma cadeia de roupa americana, teria publicitado o consumo após o período do Dia de Ação de Graças. Apesar da Grande Depressão, que ocorreu com a Queda da Bolsa de Wall Street em 1929, esse consumismo popularizou-se na década de 30.

O termo Black Friday, aplicado à forma como é utilizado nos dias de hoje, surge na década de 50, na cidade americana de Filadélfia, após o Dia de Ação de Graças. Uma grande concentração de turistas e consumidores apareceram na cidade para assistirem a um jogo de futebol americano. A enorme afluência de pessoas na cidade, criou uma situação de caos e episódios de roubos. Devido à complexidade dessa situação e ao volume de trabalho gerado, os agentes da polícia de Filadélfia, denominaram a Sexta-Feira após esse Dia de Ação de Graças de Black Friday.

Nos anos 70 e 80, o termo já seria utilizado por todo o país, estando já relacionado aos saldos no período pós Dia de Ação de Graças.

Como o fenómeno se espalhou a nível global, hoje são milhões de pessoas que aderem às compras em loja física ou online (sim, porque também já atingiu a Internet) e, as empresas prolongam as suas campanhas de venda ao longo do fim-de-semana.

Analisando bem a situação a frio, não será a Black Friday apenas um dia de mero consumismo, para as grandes cadeias arrecadarem mais “uns milhões para o bolso”?

É um fenómeno com tendência a aumentar. Mas será que essa tendência não se deve ao fato das empresas incutirem uma “necessidade” ao consumidor pelas campanhas de marketing ferozes e desmedidas que fazem? E também pela falta de capacidade que o consumidor tem, em distinguir o que é necessário do supérfluo?

Hoje em dia, as empresas promovem campanhas para a conservação do ambiente e sobre sustentabilidade mas, ao mesmo tempo, promovem fenómenos como este, que levam ao consumo exacerbado e que contribuem para situações que promovem a exaustão do nosso Planeta, através do consumo excessivo de recursos e do desperdício que daí advém. São ainda capazes de promover ações a fim de criarem no consumidor uma espécie de sentimento de “felicidade imediata” e depois um “arrependimento a longo termo”. Não deveria ser também, uma preocupação social, evitar a criação de dependências, tal como o consumo exagerado, por parte das empresas?

Não deveriam ser as empresas as primeiras a promover iniciativas de consumo sustentável, gerando situações de win-win e não de win-lose?

Ariana Macieira

Fundadora do Simbiose

23/11/2019

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