33rd EEFosT - Conferência Internacional sobre Sistemas Alimentares Sustentáveis: 12-14 de Novembro, Roterdão, Holanda

Dentro das recentes preocupações da Humanidade, a sustentabilidade dos sistemas alimentares atuais é uma das mais cruciais!

Os sistemas alimentares tais como conhecemos hoje, começam a atravessar uma situação de ruptura e são fonte de problemas ambientais, económicos e sociais a nível global. Assim sendo, a comunidade científica está atenta a esta problemática, desenvolvendo projetos inovadores como possíveis soluções para mudar a forma como são geridos os sistemas alimentares atuais.

Vários foram os projetos inspiradores que foram apresentados em Roterdão, na Conferência Internacional sobre Sistemas Alimentares Sustentáveis e o Simbiose esteve lá para os conhecer. Foram discutidos diversos temas, como as  “clean labels”, consumo local, valorização de resíduos alimentares, sustentabilidade dos sistemas alimentares atuais e futuros, desperdício alimentar, entre outros.

Muitos foram os projetos que apareceram, mas selecionamos apenas alguns para este artigo, que pensamos que poderão ser mais de interesse geral.

A fundação Barilla Center for Food and Nutrition (BCFN), com sede na cidade de Parma, Itália, tem como objetivo tornar a alimentação humana mais sustentável, a partir da utilização de uma ferramenta denominada The Food Sustainability Index (O Índice da Sustentabilidade Alimentar), atuando a nível económico, ambiental e social para garantir saúde e qualidade de vida à Humanidade.

Estão contabilizados 67 países como parte integrante do Índice da Sustentabilidade Alimentar e, é um modelo quantitativo e qualitativo, que mede a sustentabilidade dos sistemas alimentares em três áreas: desafios nutricionais, sustentabilidade agrícola e desperdício alimentar. Tem ainda três tipos de indicadores de desempenho: social, económico e ambiental.

Para mais informações, podem aceder a http://foodsustainability.eiu.com/.

O Professor William Chen Wei Ning, da Universidade de Tecnologias de Nanyang, de Singapura, está envolvido em diversos projetos inovadores, de forma a reduzir o impacto do desperdício alimentar e de aproveitar os resíduos resultantes, para novas opções alimentares. Ao mesmo tempo, o Professor Ning também desenvolve projetos nas áreas da nutrição e segurança alimentar e consumo de prateleira. Singapura importa 90% da comida que consome, devido aos efeitos das alterações climáticas no país e ao envelhecimento da população. Como ao longo dos anos houve uma diminuição da zona agrícola, atualmente há uma maior necessidade de desenvolvimento de tecnologias para a promoção do setor primário.

Uma ideia interessante do ponto de vista nutricional é o desenvolvimento de uma impressora 3D que nos permite “imprimir” as nossas bolachas saudáveis em casa. É um projeto ainda em desenvolvimento da Clara Talens, doutorada em Gestão Tecnológica e Ciência Alimentar na Universidade Politécnica de Valência.

O Erik Matthijs é doutorado em Economia Agrícola pela Universidade KU Leuven e trouxe à Conferência o tema da economia circular nos sistemas alimentares. Defende que deve haver um equilíbrio entre o consumo local e global, de forma a que os sistemas alimentares se tornem mais sustentáveis. Mas que para tal aconteça, há ainda um trabalho árduo a fazer, pois não é fácil “desmontar” o sistema alimentar global, tal como o conhecemos, de forma a ser possível a realização de ajustes. Ao mesmo tempo apresentou algumas ideias para favorecer a economia circular, tais como taxar todos os produtos poluentes que entrem na cadeia de fornecimento, entre outras.

O projeto Smart Food Grid, desenvolvido pela Universidade de Ciências Aplicadas FH JOANNEUM, é um projeto que está a estudar a aplicação do consumo local à cidade austríaca de Graz. O objetivo principal é que em 2030, 30% dos alimentos provenham de um local até 30 Km de distância do consumo local.

Para mais informações sobre este trabalho, podem aceder a www.fh-joanneum.at/en/projekt/smart-food-grid-graz/.

Por último, mas não menos importante, existe um projeto que decorre entre três Universidades da África do Sul que, tentam compreender quais as fontes dos problemas alimentares dos Sul Africanos, pois uma parte da população é subnutrida e tem carências alimentares e outra sofre de problemas de obesidade e de doenças relacionadas com o excesso de peso. Fazem trabalhos com algumas comunidades do país e, para além de determinar a raíz dos problemas alimentares, determinam quais os pontos críticos e tentam inserir a tecnologia já existente, para a resolução desses mesmos pontos, a fim de combater os problemas de insegurança alimentar no país.

Para concluir e para os mais céticos, aqui está uma “prova” em como a comunidade científica não está aparte da problemática da sustentabilidade alimentar e que, não é apenas um “tema da moda” mas sim, uma preocupação real.

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